28 de fevereiro de 2010

O primeiro

Eu sempre achei que existiam coisas eternas. Coisas que sempre que eu quisesse estariam ali. Mas não, tudo acaba.
A vida acaba. A juventude acaba. Pessoas acabam.
Um exemplo bem grosseiro da minha mente é o Michel Jackson, eu sempre achei que iria morrer primeiro que ele, afinal de contas ele era o rei do pop, o cara que reinventou o videoclipe, dono do moonwalker; mas não, o Michel Jackson morreu.
Já tive um melhor amigo, e melhor amigo tem que ser pra vida inteira, pra virar padrinho de casamento e do filho também. Mas não, o meu melhor amigo adoeceu, e durante o período em que ele estava doente, eu nunca pensei na hipótese de morte, pois ele sempre foi saudável e forte, gripe nunca teve e não espirrava nem cheirando rapé.
Mas não, depois de algum tempo no hospital com a suspeita de hepatite, descobriram que ele estava com leucemia, uma doença terrível. E sim, meu melhor amigo morreu, foi a pior coisa que me aconteceu. Melhores amigos não podem morrer, pelo menos não tão jovens.
Dois anos depois foi o pai dele. Saudade mata sim.
Depois de tais acontecimentos, minha mente começou a ver que a eternidade não existe. Existe, talvez, após a nossa morte, mas a que queremos sempre acaba.

A única coisa que eu ainda desconfio que seja eterno é o amor.
Eu sei, escrevo muito sobre ele e falando mal, mas o amor que me refiro não é qualquer amor, é o primeiro.
Pergunte a sua avó, sua mãe, seu pai, qualquer pessoa que já tem um pouco de experiência. Pergunte qual foi o primeiro amor deles e eles certamente se lembrarão.
Primeiro amor é tão fascinante que te marca pro resto da vida e te dá uma certa eternidade. O amor será eterno dentro de nós. É mais marcante que perder a virgindade, pois muitos perdem sem amar e totalmente embriagados, e no dia seguinte não se lembram de nada.
É uma queimadura que nunca sara.
Eu tenho a marca do meu primeiro amor até hoje, e pela história toda que houve entre nós, eu sei que nunca vou esquecer. Amor pode doer, pode sangrar e nos fazer chorar, mas é bom.
Como diz em uma música que desconheço o cantor “Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”.


Já apanhei demais na vida do amor, dei vexame, xinguei, chorei, me desesperei, busquei auxílio e encontrei a cura; e não foi em outro amor, foi no tempo.
Mas não estou vazio, a marca do primeiro amor ainda está em mim, e será eterna enquanto eu viver.
Ela só é eterna para nos fazer lembrar o quanto foi bom, e então assim, seguirmos em frente.

4 comentários:

  1. Eu também, às vezes duvido de mim.

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  2. (...) Mas não estou vazio, a marca do primeiro amor ainda está em mim, e será eterna enquanto eu viver. (...)

    Demasiadamentefranco! (y)

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  3. A música é do meu parceiro Vinicius de Moraes. E sim, ele tem razão, é impossível ser feliz sozinho.

    Só não entendo porque se escondeu durante tanto tempo. Li e estou lendo vários. Adorei. Já disse antes e volto a repetir: você tem talento. E notei que o D'propósito não está relacionado no lado direito. Pode não.

    Beijo, Dayan.

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