14 de janeiro de 2011

Medo de não ter

Consigo facilmente me lembrar da primeira vez que a vi.
Você e aquele vestido amarelo, a pele branca e seu cabelo amarrado ainda estão na minha memória. Seu jeito despreocupado, olhando para a prateleira de livros, a mão no queixo, olhos simicerrados, buscando...
Eu me aproximei com o pretexto de procura apenas para te ver de perto, mas não pensei em puxar conversa, sou péssimo nisso e você sabe. Sabe da dificuldade que sempre tive com as mulheres. Mas naquele dia eu dei sorte. Não sei o que deu em mim, mas resolvi falar, e perguntei se você sabia onde eu poderia encontrar algum livro da Clarice Lispector- não sei por que escolhi essa escritora, li uns três livros dela e todos eu parei na metade- mas foi a primeira que me veio a mente e a partir do momento que você me olhou e sorriu, eu entendi. Eu escolhi Clarice por que era pra ser assim. Era para eu escolher sua escritora favorita.
E enquanto você sorria, eu fiquei parado achando que você me conhecia de algum lugar, ou que tinha me confundido com algum amigo, mas não, seu sorriso foi por ter me encontrado. Conversamos tanto naquele dia que eu nem vi o tempo passar. Decidimos jantar em algum lugar e fomos nos conhecendo, você me mostrando a beleza de Clarice enquanto eu tentava te convencer que era melhor ler Machado. E riamos. Riamos como rimos hoje de coisas tolas.
Eu tive medo enquanto estava indo para casa. Tive medo de que aquilo não passasse de um mero sonho; e até hoje, dois anos e meio depois de tudo aqui ter acontecido, eu tenho esse medo. Medo de acordar e não ver o bilhete na geladeira com um trecho de um poema qualquer para me desejar bom dia. Medo de que nossas discussões não sejam reais e de acordar no meio de uma. Medo de não estar escrevendo isso enquanto você dorme ao meu lado. 

9 de janeiro de 2011

Mais do mesmo.

Eu vivo perdido e me encontrando com você, mas nunca a tenho. Encontro seus óculos na pia do banheiro, sua regata no varal, seu chinelo na porta, o tênis embaixo do armário. O pior não é não te ter. É saber que tive a chance e te perdi.

17 de setembro de 2010

Oi








Ele não conhecia ela, e ela se interessou por ele.
Ela ligou pra ele, e ele falou com ela.
A voz dela mexeu com a dele, e ele decidiu ver ela.
O olhar dela encontrou o dele.
As palavras dela não sairam ao encontro das dele. 
O silêncio do beijo falou por eles.

12 de setembro de 2010

Partes

Todas as suas atitudes estão guardadas em mim. Todos os seus gestos ficaram no meu bolso.
Eu me baseio em você. Eu procuro você e seu vestido rodado. A cor do seu batom e o cheiro do seu cigarro. Tudo, exatamente tudo está em mim. E quando quero te encontrar, ponho minhas mãos no bolso e ando a observar os prédios da Av. Paulista.

31 de julho de 2010

Minha casa é meu coração

Meu problema é e sempre foi a saudade. Mas não a simples saudade, a saudade em excesso. Ela me tortura, me esgana, me persegue e não me deixa dormir. É ela que me traz a insônia e me deixa olhando para o teto até as três da madrugada. A saudade me traz você, não do jeito que eu queria; mas traz. Me traz o seu sorriso, me traz o seu olhar. Traz a sua pele macia, traz o seu toque. E eu não posso tocar, pois você simplesmente não está lá. está em outro lugar. eu tento fugir; tento fugir da saudade, de mim, e de você. Mas a vontade não deixa. A vontade de te ter é o que me mantém, o que me aquece e o que, por hora, me faz bem. 


Por mais que eu tente te manter afastada, alguma coisa sempre te traz de volta.
pare de ir embora.

28 de julho de 2010

Alimento da alma

É tão irônico viver em um país recheado de grandes escritores e metade da população dizer que não gosta de ler. Temos Machado para nos fazer pensar, Clarice para mergulharmos dentro de si; Carpinejar para encontrarmos o amor em qualquer lugar. Temos muita coisa ao nosso dispor; à vontade, em cima da mesa, com o prato cheio, e o que fazemos? recusamos sem ao menos ter provado.
Brasileiro é cheio dessas, tem medo do novo , do desconhecido, da prórpia criação. Argumentos não faltam para tentar explicar esse desinteresse pela leitura. Alguns dizem que é a criação, a culpa é dos pais que não mostraram a beleza da leitura para a criança. Concordo, mas quando essa criança se tornar um adulto e tomar suas próprias decisões, o que a impede de ler? A sociedade? O governo? Não, ela mesma se impede. Impede-se se limitando ao Jornal Nacional; a novela das oito, ao Big Brother Brasil. É nessa base que está sendo criada a sociedade brasileira, a base de lixo.
E não culpe a Rede Globo, pois ela não lhe obriga a manter a televisão ligada. A partir do momento em que os jovens- não só os jovens, mas principalmente eles- tomarem vergonha na cara, posicionarem-se e abrirem a mente para permitir que boas ideias e boa cultura entre, aí sim podemos esperar um brasil melhor para nossas crianças.