21 de junho de 2010

O que me faz lembrar...

(...) Não soltamos as mãos, nem elas se deixaram cair de cansadas ou de esquecidas. Os olhos fitavam-se e desfitavam-se e, depois de vagarem ao perto, tornavam a meter-se uns pelos outros... Padre futuro, estava assim diante dela como de um altar. sendo uma das faces a epístola e a outra o Evangelho. a boca podia ser o cálix, os lábios, a patena. Faltava dizer a missa nova, por um latim que ninguém aprende e é a lingua cátolica dos homens. Não me tenhas por sacrílego, leitora minha devota; a limpeza da intenção lava o que puder haver menos curial no estilo. estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas cruaturas uma só, mas uma criatura seráfica. os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham...

Trecho do livro "Dom Casmurro".

E eu me perguntava o porquê de falarem tanto de Machado de Assis.

6 de junho de 2010

Em você

É o seu ar que eu preciso para respirar.
A sua voz é necessária para me permitir gritar; seus olhos não me deixam perdido, eu me encontro no castanho embaixo dos cílios. Eu quero seu sorriso trazendo minha primavera; eu quero os seus cabelos me devolvendo o olfato. Eu quero.
Eu quero o que foi dito; o que era o "nunca mais". Eu quero.
Querer é pouco, é sentimento fraco, por isso que não tenho; por isso te perdi, por apenas te querer.
Eu queria ouvir o som do vento, mas tudo o que era meu estava em você.