23 de abril de 2010

Me empresta um par de meias?



Muitos me julgam um ainda apaixonado, mas eu teimo em dizer que me libertei da paixão.
Não da paixão pela vida. Ainda sou um apaixonado. Apaixonado por um bom livro, por uma boa música, por uma boa amizade e uma boa risada.
Aí me perguntam o porquê de eu falar tanto nela, de comparar pessoas e gestos, de parecer ainda um apaixonado.
Eu respondo: A minha paixão não é por ela, é pela lembrança daquele tempo em que eu era apaixonado e, escolhendo ou não, ela estava presente.
São gestos inocentes que lembrando me fazem bem.
É o beijo no olho, a risada alta.
Foi o abraço apertado; o choro da despedida.
Era o bilhete na geladeira, o café da manhã em silêncio.

E hoje me perguntam o porquê de eu ser tão exigente.
É para ter mais lembranças. Só pra isso.

2 de abril de 2010

Matéria

Achava que éramos perfeitos. Que nada nos abalaria e que nossas semelhanças só nos fortaleceriam.
Destruímos o “os opostos se atraem”. Nossa igualdade era absurda.
Nos misturamos. Nos tornamos um só; o único problema foi o tipo da mistura: heterogênea.
Estávamos no mesmo recipiente, mas eu era o óleo, você era a água.
Decidi sair da química, estava ficando arriscado.
Entrei na matemática. Não ajudou muito, virei a incógnita da sua fração. Entrei em desespero, não estava conseguindo ficar do seu lado, tinha sempre alguma coisa me tirando de perto, me afastando, nos dividindo em lados opostos.
Corri! Mudei de matéria, tentei alternativas, mas tudo era inútil.
Até na gramática, que eu julgava um lugar seguro, não teve jeito: eu, o hiato, estava lá!
Abandonamos o curso, desistimos de insistir no que era incerto.


Sua ausência está presente nas minhas aulas.

incubus: oil and water.
http://www.youtube.com/watch#!v=7SF9b5QgMCs&feature=related

tentei postar o video, mas só da erro.